Então tá, vamos por partes e com linguagem clara para que até os leigos como eu possam entender. A constituição federal de 1988 foi feita e promulgada por representantes legais (...) do povo e, em todos esses anos, o que mais se ouve no congresso são PEC'S (Proposta de Emenda Constitucional), ou seja, ainda deve estar longe de ser ideal porque está em constante atualização, muitas vezes, por ininteligibilidade do que está ou por que, no momento da PEC, o que se pensava em 1988 não se pensa mais no novo século ou por conveniência mesmo. Enfim, desde 1988, estamos elegendo os representantes do povo para as casas legislativas e executivas em todas as esferas de poder. São pessoas nas quais a maioria depositou sua confiança para gerir publicamente o que é comum a todos. São pessoas nas quais esperamos retorno, respeito, trabalho, etc, toda aquela utopia política ao se eleger um representante para uma maioria. Partindo-se desse principio, espera-se um minimo de decoro e comportamento reto do nosso legitimo representante. Portanto, a tolerância a falha desse representante deveria ser absurdamente menor do que a tolerância ao cidadão que não representa ninguém (quando no trato da coisa pública). Ai vem uma constituição paternalista que, além de proibir a prisão do representante, ainda elege foro privilegiado, lotado de prerrogativas e regalias que o cidadão comum jamais vai entender direito do que se trata. O representante do povo, por suspeita ou sob investigação ou seja o que for que recair sobre sua conduta, deve ser afastado das funções até que seja declarado e provado inocente (obviamente por um juri imparcial e justo, justo mesmo hein !!!). Ai sim, com, no máximo um pedido de desculpas pública, voltar ao exercício das funções . Quando digo no máximo, é no máximo isso mesmo, nada mais do que um pedido de desculpas e a frase: "É sua obrigação, agora vai trabalhar."
O direito absoluto é utopia porque sempre haverão consciências e interpretações, maneiras e porque não dizer "interesses" que haverão de sobrepor o absolutismo da lei para flash de "lucidez" do momento.
Tentar me convencer, nesse momento, o que o advogado do Delcidio alegou, de "questões humanitárias" de seu cliente é, no minimo, sambar na minha cara, como alguém disse que o Delcidio sambou na cara do STF.
Ainda precisamos evoluir como nação para parar de banalizar a corrupção como é feito hoje, com tantos fatos escabrosos, as pessoas já nem se espantam mais e apenas lamentam e voltam a contribuir com seus 34% carga tributária porque se for protestar, toma cacetada e spray de pimenta.